A escolha alimentar não é determinada apenas por fatores fisiológicos, que envolvem a fome ou o reconhecimento do alimento como próprio ou não para o consumo, mas também fatores psicológicos, ambientais, culturais, socioeconômicos, entre outros, são importantes.

 

Desde a infância, o ser humano aprende a fazer suas escolhas alimentares a partir de seu convívio social, formando características que levará para a vida adulta como seu comportamento alimentar, baseado em componentes fisiológicos e psicossociais.

 

Na adolescência, há o estabelecimento da autonomia, a consolidação dos hábitos e a necessidade de se inserir em um grupo social, e tudo isso pode levar ao aumento da exposição a riscos ambientais, a alimentos de alta densidade energética e à inatividade física, com isso, gerando aumento na obesidade e complicações futuras.

Outro grande fator determinante na conduta alimentar de crianças e adolescentes é a grande influência da mídia sobre o comportamento de escolha dos alimentos. O tempo prolongado de acesso à televisão e a consequente exposição aos comerciais podem agravar essa característica.

Em adultos, geralmente, os hábitos e padrões alimentares já estão formados e é a fase na qual se iniciam as primeiras consequências à saúde causadas pela alimentação inadequada.

Atualmente, diversas ferramentas estão disponíveis na prática profissional, e a aplicação de modelos que auxiliam na compreensão do comportamento alimentar torna-se uma estratégia que colabora para o sucesso na adesão ao acompanhamento nutricional.

Proposto na década de 1980, o modelo transteórico do comportamento alimentar utiliza cinco fases distintas de mudança, demonstrando quando esta ocorre e qual o grau de motivação para realizá-la. Os cinco estágios abordados são:

  • Pré-contemplação: fase na qual ainda não há o reconhecimento do problema, sem consideração de mudança.
  • Contemplação: já se reconhece a existência do problema, com a consideração de mudança.
  • Decisão: estágio em que se pretende adotar as mudanças comportamentais.
  • Ação: momento em que há alterações de fato no comportamento. Fase que exige grande dedicação e disposição para evitar as recaídas.
  • Manutenção: já houve modificações no comportamento, e o objetivo principal é manter os ganhos obtidos durante a fase de ação.

Além da identificação e compreensão desses estágios, também, são necessárias estratégias de interação com o paciente a fim de estimular e incentivar as mudanças fundamentais para o tratamento.

Nesse sentido, a entrevista motivacional, baseada em cinco pilares, facilita o contato do profissional com o paciente, conforme descrito a seguir:

  • Expressar empatia: envolve a compreensão das expectativas do paciente.
  • Desenvolver a discrepância: auxilia o paciente a compreender quais metas são importantes e as consequências de seu comportamento atual.
  • Evitar a argumentação: o profissional deve evitar a argumentação e confronto direto com o paciente, o que poderia proporcionar maior resistência ao tratamento. O objetivo é auxiliá-lo a encontrar soluções.
  • Aceitar a resistência: importante reconhecer o momento ou estágio de mudança do paciente e propor estratégias que contribuam para a solução do problema.
  • Promover a autoeficácia: demonstrar ao paciente que ele é capaz de obter sucesso e ajudá-lo a compreender que somente ele é o responsável pelas mudanças.

Assim, torna-se de grande importância que o profissional considere a influência do comportamento para o sucesso do acompanhamento nutricional.

O conhecimento de modelos que favoreçam a adesão ao tratamento é ferramenta fundamental para a melhor qualidade de vida e saúde através da alimentação.

 


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