O baru, popularmente conhecido por cumbaru, cumaru, castanha-de-burro, coco-feijão ou fruta-de-macaco, possui polpa fibrosa e uma amêndoa no seu interior, que tem chamado atenção da ciência em razão de suas muitas propriedades nutricionais.

A polpa pode ser utilizada em preparações culinárias, o óleo do baru, como alimento ou cosmético, além da amêndoa conter elevado potencial medicinal. Ao ser torrada, assemelha-se, sensorialmente, ao amendoim torrado e pode ser usada para enriquecer preparações culinárias. No entanto o consumo in natura não é recomendado em razão da presença de fatores antinutricionais, como inibidores da enzima tripsina, que prejudicam a absorção de aminoácidos essenciais. A amêndoa do baru contém alto teor de lipídios, sobretudo, de ácidos graxos ômega-3 e 6, além de minerais como cálcio, potássio, fósforo e magnésio. Ademais, seu alto teor proteico – cerca de 30% da composição do fruto –, inclui aminoácidos essenciais à dieta humana, como valina, isoleucina, leucina, cistina, metionina, tirosina, fenilalanina, entre outros. Possui, ainda, compostos bioativos e fenólicos, tocoferóis e fibras alimentares, propriedades muito interessantes sob o ponto de vista nutricional.

Souza (2014), em ensaio clínico randomizado, avaliou os efeitos do consumo da amêndoa de baru associado à prescrição normocalórica em mulheres com sobrepeso. Os parâmetros avaliados incluíram perfil lipídico, composição corporal e atividade de enzimas antioxidantes, como glutationa peroxidase (GPx) e superóxido dismutase (SOD), de 46 participantes. O grupo intervenção recebeu 20g (14 a 16 unidades) de amêndoa de baru, diariamente, ao longo de oito semanas de experimento, enquanto o grupo controle foi orientado a ingerir, diariamente, 800mg de maltodextrina. Os resultados mostraram que houve redução da adiposidade, melhora do perfil lipídico e aumento da atividade antioxidante de GPx e SOD no grupo intervenção.

Outro ensaio clínico randomizado e controlado analisou os efeitos do consumo da amêndoa de baru sobre o perfil lipídico e o estado oxidativo de 20 indivíduos moderadamente hipercolesterolêmicos. Durante seis semanas, os participantes receberam 20g de baru/dia ou uma cápsula/dia de amido de milho. O consumo do baru não alterou a composição corporal ou o estado oxidativo dos participantes, embora tenha reduzido as concentrações séricas de colesterol total, de LDL-c e de não HDL-c. Em estudo com animais, Araújo et al. (2017) analisaram os efeitos no peso corporal, no percentual de adiposidade/quantidade de tecido adiposo e nos parâmetros sanguíneos de camundongos, machos, obesos e suplementados por 8 semanas com a amêndoa de baru. Os autores observaram que o grupo suplementado com baru apresentou redução no peso, na concentração de glicose e de triglicérides se comparado ao grupo dos animais alimentados com dieta hiperglicídica.

Assim, a amêndoa do baru, além de contribuir para o aumento no consumo de oleaginosas, possui enorme potencial em melhorar o perfil lipídico e a função oxidativa, bem como promover redução da adiposidade corporal.

REFERÊNCIAS

ARAÚJO, A.C.F. et al. Consumption of baru nuts (Dipteryx alata) in the treatment of obese mice. Ciência Rural, v. 47, n. 2, 2017.

BENTO, A.N.P. Efeito do consumo da amêndoa de baru sobre o perfil lipídico e o estado oxidativo de indivíduos moderadamente hipercolesterolêmicos. 2014. 97 fls. Dissertação (Pós-Graduação em Nutrição e Saúde) –Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2014.

FIORINI, A.M.R. Atividade funcional e antioxidante das amêndoas do Baru. 2018. 75fls. Dissertação (Pós-Graduação em Agronomia) –Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”. São Paulo, 2018.

KWIATKOWSKI, A. et al. Avaliação Nutricional de Amêndoas de Baru e Elaboração de Creme das Amêndoas. Cadernos de Agroecologia, v. 13, n. 2, dez. 2018.

SOUZA, R.G.M. Efeito do consumo da amêndoa de baru associado à prescrição normocalórica sobre a composição corporal, perfil lipídico e atividade de enzimas antioxidantes em mulheres com excesso de peso. 2014. 126 fls. Dissertação (Pós-Graduação em Nutrição e Saúde) –Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2014.

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